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Que saudade da disciplina OSPB (Organização Social e Política do Brasil), bem como dos grêmios e diretórios estudantis organizados e fortes, sem ingerência partidária nas unidades de ensino. Eram tempos em que surgiam verdadeiras lideranças políticas, autênticas, coerentes e combativas.

 

Por que o Brasil continua dependente das mesmas lideranças políticas?

 

Na edição do jornal A TARDE, de 28/03/2013, procurei alertar a sociedade por meio do artigo “A escassez de líderes no Brasil preocupa o futuro da Nação”. Na ocasião, escrevi que, enquanto desapareciam grandes lideranças políticas, como Getúlio Vargas, Ulisses Guimarães, Leonel Brizola, Antônio Carlos Magalhães (ACM), o deputado Paulo Jackson, entre outros, não surgiam novos líderes capazes de ocupar esse espaço. Naquele contexto, afirmei que o único líder político nacional era Luiz Inácio Lula da Silva. Coitado do Brasil sem novas lideranças. A base de um país é a educação. Um povo educado constrói um país desenvolvido e forma boas lideranças.

 

Como afirmaram Darcy Ribeiro e Brizola:

“A crise da educação no Brasil não é uma crise; é um projeto.

Educação não é cara. Cara é a ignorância”.

 

O sistema hipnotiza o povo. A geração das décadas de 1960, 1970 e 1980 está partindo, e a renovação das lideranças ainda é insuficiente. A reflexão de Lima Barreto continua atual:

“O Brasil não tem povo, apenas público. Povo luta por seus direitos; público apenas assiste de camarote.”

 

Triste realidade.

A polarização política nos municípios, nos estados e no país causa sérios prejuízos. Falta espaço para pessoas preparadas, capazes de apresentar ideias e projetos voltados ao crescimento econômico, à geração de emprego, trabalho e renda, bem como ao aumento da arrecadação para financiar políticas públicas.

 

 

 

 

A sociedade muitas vezes não percebe que grupos que dominam partidos há décadas já tiveram a oportunidade de governar e deixaram marcas profundas — positivas para seus apoiadores e negativas para seus críticos. O fato é que essa rivalidade permanente alimenta um ciclo de intolerância, radicalização e ódio, paralisando o Brasil e levando alguns fanáticos ao extremo.

 

Enquanto isso, a economia cresce abaixo do potencial, a corrupção continua desafiando a administração pública, e muitos serviços essenciais permanecem burocráticos, sucateados e de baixa qualidade. O país perde tempo discutindo figuras políticas que, naturalmente, deveriam abrir espaço para novas lideranças. Afinal, o sol nasce para todos.

 

O povo brasileiro merece mais do que essa disputa permanente entre forças políticas de direita e de esquerda, que assumiu contornos de guerra ideológica, na qual o bem-estar da população e o futuro do país acabam ficando em segundo plano. Embora existam 33 partidos políticos registrados, muitos parecem mais preocupados com seus próprios projetos de poder do que com os interesses nacionais. O eleitorado ainda não percebe que a concentração de poder e de recursos favorece práticas que alimentam a corrupção e agravam os problemas sociais.

 

Infelizmente, o analfabetismo político ainda predomina na sociedade. Vale recordar a conhecida frase atribuída a Bertolt Brecht:

“O pior analfabeto é o analfabeto político.”

 

A capacidade de um país crescer de forma sustentável depende, em grande medida, da qualificação de seus líderes, governantes e representantes políticos.

 

A crise moral, política e institucional que o Brasil atravessa também está relacionada à escassez de partidos fortes, com programas consistentes, e de lideranças capazes de promover um debate público baseado em argumentos, ética e propostas concretas. Até a década de 1990, o ambiente político era marcado por debates mais consistentes entre diferentes correntes de pensamento.

 

Para que servem 33 partidos políticos legalizados, muitos deles sem representatividade expressiva, em um país com 26 estados e o Distrito Federal? Essa é uma reflexão importante, especialmente quando se considera a utilização de recursos públicos provenientes dos impostos pagos pelos trabalhadores e pelas empresas.

 

Quais reformas estruturantes e projetos de grande relevância nacional foram aprovados nas últimas décadas, após a redemocratização? Essa é outra pergunta que merece reflexão. Entre as mudanças promovidas nesse período, destacam-se diversas reformas previdenciárias que alteraram as regras de aposentadoria, tema que continua gerando debates entre especialistas, aposentados e a sociedade.

 

Também cabe discutir políticas públicas voltadas ao envelhecimento da população. Os aposentados não merecem hospitais públicos especializados no atendimento à pessoa idosa em todos os estados brasileiros?

 

A polarização política contribui para a reeleição de grupos e lideranças que, muitas vezes, não conseguem responder às necessidades da população. Os prejuízos recaem sobre milhões de brasileiros, entre eles aposentados, professores e trabalhadores.

 

A intolerância política também pode produzir episódios de violência. Um exemplo marcante foi o assassinato do Mestre de Capoeira e presidente do Bloco Afro Badauê, Moa do Katendê, morto a facadas em 7 de outubro de 2018, no Dique do Tororó, em Salvador, após uma discussão política.

 

É hora de agir, e não de se omitir. Precisamos pensar em um Brasil para todos. Valorize seu voto e exerça sua cidadania com responsabilidade no dia da eleição. O título de eleitor continua sendo uma das mais importantes ferramentas de transformação democrática.

Seja a mudança que você deseja para o Brasil.

 

Compartilhe!

 

Alderico Sena – Especialista em Gestão de Pessoas – site: aldericosena.com

 

Colunista Destaque – Alderico Sena


Se você não está satisfeito com o Congresso Nacional, faça a si mesmo uma pergunta: quem escolheu os parlamentares que estão lá? A resposta pode mudar a forma como você votará nas próximas eleições.

 

O povo precisa deixar de assistir, de camarote, aos desmandos praticados contra o Brasil. A sociedade precisa dar um basta na corrupção do dinheiro público e nos políticos corruptos, aplicando, nesta eleição, a verdadeira CPI do eleitor: o voto consciente, livre de paixões e interesses.

 

O Brasil afunda… e a sociedade finge não ser responsável.

 

Sugiro que o leitor pesquise na internet o pronunciamento de despedida da política do ex-senador Jefferson Péres, reconhecido por sua atuação ética no Congresso Nacional. Também merece leitura a entrevista concedida pelo ex-presidente e ex-senador Itamar Franco à Revista Época, publicada em 11 de abril de 2011, na qual afirmou: “Os senadores votam sem saber”, defendendo mais independência, estudo e dedicação por parte dos parlamentares.

 

Costuma-se dizer que tudo o que é ilegal também é imoral. Por isso, a ética não deve ser apenas um discurso, mas uma prática permanente. Há pessoas que têm caráter; outras, apenas preço. E caráter não tem preço.

 

Eleitor, você reclama do Congresso Nacional? Então responda a uma pergunta: quem colocou esses políticos lá? A resposta pode mudar a forma como você votará nas próximas eleições.

 

Como fortalecer o Congresso Nacional e recuperar a confiança da sociedade nas instituições? Essa é uma reflexão necessária para todos que acreditam que a democracia depende de representantes comprometidos com o interesse público.

 

Na minha avaliação, o atual Congresso Nacional apresenta problemas que comprometem a qualidade da representação política. A sociedade cobra mais ética, responsabilidade, transparência e compromisso com a boa gestão dos recursos públicos.

 

O respeito à Constituição Federal deve começar por aqueles que exercem mandato ou ocupam cargos públicos. O artigo 37 estabelece os princípios da administração pública: legalidade, impessoalidade, moralidade, publicidade e eficiência. Quando esses princípios deixam de ser observados, cresce a desconfiança da população nas instituições.

 

Desde sua promulgação, em 1988, a Constituição Federal recebeu inúmeras emendas. Mais recentemente, surgiram mecanismos como as chamadas “Emendas Pix”, ampliando o debate sobre a estabilidade das normas, a necessidade de aperfeiçoamento do sistema político e administrativo e a redução do chamado “Custo Brasil” dos Três Poderes.

 

Em 12 de junho de 2015, publiquei um artigo na Tribuna da Bahia abordando esse mesmo tema. Passados mais de dez anos, muitas das dificuldades permanecem. Um dos maiores desafios continua sendo a baixa participação da população no debate político. Quem não busca informação torna-se mais vulnerável à manipulação e à desinformação.

 

A burocracia excessiva, a baixa eficiência administrativa e a nomeação de pessoas sem qualificação técnica para determinados cargos comprometem a prestação dos serviços públicos e reduzem a confiança da sociedade nas instituições.

 

Os recursos públicos desperdiçados pela corrupção e pela má gestão representam enormes prejuízos ao desenvolvimento nacional. São recursos que poderiam ser investidos em educação, saúde, segurança pública, infraestrutura, habitação, saneamento básico, assistência aos idosos, inclusão das pessoas com deficiência, cooperativismo, geração de empregos, combate à pobreza e redução do custo de vida.

 

Nesse contexto, o eleitor precisa compreender a diferença entre política e politicagem.

Política é trabalhar pelo bem comum, respeitando a Constituição e os interesses da sociedade.

 

Politicagem é utilizar o poder público para atender interesses pessoais, eleitorais ou de grupos, em prejuízo do interesse coletivo.

 

Uma sociedade organizada deve participar da construção das reformas necessárias ao fortalecimento das instituições. Entre elas, podem ser debatidas:

  • simplificação da burocracia administrativa;

  • reforma política, eleitoral e partidária;

  • redução do número de partidos políticos;

  • revisão do financiamento público das campanhas eleitorais;

  • maior transparência na aplicação dos recursos partidários;

  • combate aos privilégios e aos chamados “penduricalhos”, em observância ao artigo 5º da Constituição Federal, que estabelece que todos são iguais perante a lei, sem distinção de qualquer natureza;

  • fortalecimento dos mecanismos de controle e fiscalização da administração pública;

  • revisão da Constituição Federal, com ampla participação da sociedade civil organizada.

 

Também é importante aperfeiçoar o sistema político brasileiro, reduzindo práticas que favoreçam a concentração excessiva de poder, o nepotismo, o clientelismo e outras distorções incompatíveis com os princípios republicanos.

 

A administração pública deve valorizar o mérito. Para o exercício de funções políticas e cargos de direção, considero indispensáveis três requisitos fundamentais: caráter, competência e compromisso comprovado com o interesse público.

 

O eleitor também exerce papel decisivo. Antes de votar, é essencial conhecer a trajetória, a conduta e as propostas dos candidatos. O voto consciente continua sendo uma das principais ferramentas para o fortalecimento da democracia.

 

Como dizia Bertolt Brecht:

“O pior analfabeto é o analfabeto político.”

 

Sem educação de qualidade, valorização dos professores, fortalecimento da cidadania e participação consciente da população, dificilmente construiremos um Brasil mais justo, ético e desenvolvido.

 

O futuro do Brasil não começa em Brasília. Começa na consciência de cada eleitor, diante da urna.

 

Pense nisso.

 

Compartilhe este artigo com amigos e familiares e participe dessa reflexão em defesa de um Brasil melhor para as futuras gerações. Juntos, seremos mais fortes.

 

Alderico Sena – Especialista em Gestão de Pessoas.Coordenador de Pessoal da Assembleia Estadual Constituinte da Bahia (1989). Site: aldericosena.com

 

 

Colunista Destaque – Alderico Sena


“Para criar inimigos, não é necessário declarar guerra; basta dizer o que pensa.”


A frase atribuída a Martin Luther King Jr. traduz uma realidade do mundo moderno. Outra reflexão também revela muito sobre o comportamento humano: “Quer conhecer verdadeiramente uma pessoa? Pare de atender aos seus interesses.”


Ambas nos levam a refletir sobre o caráter e o comportamento humano.


Existe um antigo ditado: “O cachorro é o melhor amigo do homem.” Talvez porque não se interesse por dinheiro, poder ou interesses pessoais.


Será que a sociedade não percebe como está cada vez mais difícil confiar no ser humano?

A maior crise do Brasil talvez não seja apenas econômica, política, institucional ou social. A maior crise pode estar na perda da confiança no ser humano e nas decisões daqueles que ocupam posições de poder.


E a hipocrisia é uma das principais responsáveis por essa crise.


Dignidade, ética, profissionalismo e compromisso parecem ter perdido espaço em muitos ambientes sociais e profissionais, embora ainda existam, felizmente, honrosas exceções.


A hipocrisia destrói famílias, enfraquece instituições, alimenta a corrupção e contribui para o crescimento da violência. É só observar o número cada vez mais preocupante de casos de violência contra mulheres, crianças e idosos.


Quando a verdade deixa de ser um valor, a mentira ocupa o seu lugar.


E quando a mentira se torna normal, a confiança desaparece.


Sem confiança, não existem famílias fortes, instituições respeitadas, uma sociedade ética e comprometida, nem uma democracia verdadeiramente sólida.


Que mundo é este em que estamos vivendo?


A inversão de valores parece predominar em muitos setores da sociedade. Muitas vezes, ninguém acredita mais em ninguém.


Nem mesmo a natureza está sendo preservada diante da ambição humana. E preservar a natureza é preservar a vida.


A natureza é sábia.


Escrevi, em 2010, um artigo publicado pelo jornal A TARDE, intitulado A Natureza é Sábia. Naquela reflexão, escrevi:


“A natureza é sábia, abundante e paciente. Mas a paciência tem limite, e o homem está sem limite. Às vezes, nesse confronto, o homem destrói a natureza, extrapola seus poderes, e ela se cala. Noutras, volta-se, numa autodefesa, e retoma seu império sobre a obra humana, tornando a ocupar seu espaço e sua importância.”


Os acontecimentos registrados em diversas partes do mundo demonstram que a natureza reage quando seus limites são ultrapassados. O ser humano não pode continuar destruindo o meio ambiente como se os recursos naturais fossem infinitos.


Infelizmente, até aqueles que receberam a missão de representar o povo nos Poderes constituídos, em muitos casos, decepcionam a sociedade ao priorizar a ambição, o poder e o dinheiro acima da ética e do compromisso com o bem comum.


O resultado está diante dos nossos olhos:


A violência cresce.


A corrupção se espalha.


O respeito diminui.


E as famílias sofrem.


Recentemente, um pai foi filmado agredindo o próprio filho, de apenas três anos, em plena via pública. A cena chocou o Brasil.


Mas esse episódio também revela algo ainda mais grave: a preocupante perda de valores humanos.


A educação forma cidadãos. Educar não é apenas transmitir conhecimento. É ensinar disciplina, limites, respeito, responsabilidade, honestidade e cidadania.


É na educação dos filhos que também se revelam os valores e as virtudes dos pais. A educação vem do exemplo e das atitudes. E, com toda certeza, a educação começa em casa.


O ser humano precisa aprender primeiro a ser, para depois ter.


Quando o dinheiro e o poder passam a valer mais do que os princípios e os valores éticos e morais, abrem-se as portas para a corrupção, a violência e a destruição da confiança.


Senhoras e senhores, eleitores: quantas escolas com quatro refeições diárias para as crianças, universidades, hospitais e agrovilas destinadas à produção e à ressocialização de detentos poderiam ser criadas com os recursos públicos desviados pela corrupção?


A hipocrisia é fingir virtudes que não existem.


É cobrar dos outros aquilo que não se pratica.


É viver de aparências.


O hipócrita condena os erros alheios enquanto esconde os próprios. Faz discursos de humildade, mas age com arrogância e falta de caráter.


O mais preocupante é que, em muitos momentos, a sociedade passa a admirar mais quem vive de aparências e hipocrisia do que quem fala a verdade e defende o que é certo — realidade que também pode ser observada na política.


Promessas são feitas. Discursos emocionam.


Mas, depois das eleições, muitos esquecem tudo aquilo que disseram aos eleitores.


É por isso que defendo a alternância de poder. Nenhuma democracia deve se transformar em um sistema de poder permanente para os mesmos grupos.


O Brasil não mudará apenas com novas leis.


A verdadeira mudança acontecerá quando o ser humano substituir a hipocrisia pela verdade, o egoísmo pela solidariedade e a omissão pelo exercício da cidadania.


A mudança começa em cada um de nós.


Caráter, honestidade e comportamento ético constroem uma democracia verdadeira e contribuem para a construção de uma nação forte.


Se queremos um Brasil melhor para as futuras gerações, precisamos deixar de apenas reclamar e começar a mudar nossas próprias atitudes.


Seja a mudança!


Alderico Sena - Especialista em Gestão de Pessoas - www.aldericosena.com

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