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Colunista Destaque – Alderico Sena


Quando um governo convoca a sociedade civil organizada para discutir projetos de interesse nacional, surgem ideias e propostas inovadoras capazes de promover o desenvolvimento do povo e do Brasil.

 

Com base nessa premissa, proponho ao próximo governo um grande desafio e uma importante missão: promover um amplo debate nacional sobre a educação brasileira com mestres, professores, pesquisadores e instituições de ensino. O crescimento de um país depende, fundamentalmente, da qualidade da sua educação. Povo educado, país desenvolvido.

 

As reflexões de grandes líderes e educadores reforçam essa convicção.

 

Nelson Mandela afirmou: “A educação é a arma mais poderosa que você pode usar para mudar o mundo.”

 

Leonel Brizola advertiu: “Educação não é cara. Cara é a ignorância.”

Darcy Ribeiro foi ainda mais contundente: “A crise da educação no Brasil não é uma crise; é um projeto.”

 

Anísio Teixeira ensinou: “Só existirá democracia no Brasil no dia em que se montar, no país, a máquina que prepara as democracias. Essa máquina é a da escola pública.”

 

Essas frases continuam extremamente atuais. Infelizmente, durante décadas, o Brasil deixou de adotar políticas educacionais capazes de produzir resultados semelhantes aos alcançados por diversos países que transformaram a educação em prioridade nacional.

A violência, a corrupção, a falta de ética, a fragilidade do caráter e muitos dos problemas sociais têm origem na deficiência de uma educação de qualidade.

 

Defendo que o governo convoque um grande Encontro Nacional da Educação, em Brasília (DF), reunindo mestres, professores, pesquisadores, universidades, instituições de ensino, representantes do Ministério da Educação e demais segmentos da sociedade. O objetivo seria discutir propostas inovadoras para o aperfeiçoamento da educação brasileira.

 

Ao final do encontro, as propostas aprovadas em plenário seriam consolidadas em um relatório nacional e encaminhadas ao Governo Federal para análise, deliberação e implementação.

 

Entretanto, antes da realização desse encontro, os participantes deveriam receber previamente os cenários estratégicos que servirão de base aos debates.

 

Não se trata de prever o futuro. Cenários não são previsões, mas descrições de possibilidades construídas a partir de hipóteses plausíveis. A premissa é que o futuro não está determinado e, portanto, pode ser moldado pelas decisões do Estado e da sociedade.

Os cenários exploratórios servem como instrumentos de reflexão coletiva, permitindo a construção de um cenário desejado para o País.

 

Sua função é desenhar futuros possíveis e compará-los com as expectativas e aspirações da sociedade, estimulando discussões capazes de orientar um projeto nacional que reduza a distância entre o Brasil que somos e o Brasil que desejamos ser.

 

Outro tema indispensável é a articulação entre a educação infantil, o ensino fundamental, o ensino médio e o ensino superior.

 

Professores brasileiros precisam discutir, juntamente com o governo, esse fluxo contínuo de formação para superar a fragmentação do sistema educacional. A transição entre os diferentes níveis de ensino influencia diretamente o desenvolvimento cognitivo dos estudantes, sua permanência na escola e seu desempenho acadêmico, exigindo currículos integrados e alinhados às diretrizes do Ministério da Educação.

 

Essa integração deve harmonizar o desenvolvimento socioemocional e o aprendizado por meio do brincar na educação infantil com a alfabetização, a construção do conhecimento no ensino fundamental, o aprofundamento científico no ensino médio e a formação crítica e profissional no ensino superior.

 

Somente por meio desse diálogo será possível construir uma formação contínua, articulada e de elevada qualidade.

 

Outro debate indispensável refere-se à formação e à valorização dos professores.

 

Embora a legislação exija formação superior para a docência, ainda existe um número significativo de profissionais da educação infantil e dos anos iniciais do ensino fundamental com formação apenas em nível médio.

 

Essa realidade impõe importantes desafios às políticas públicas educacionais e exige a construção de estratégias capazes de fortalecer a formação docente, valorizar a carreira do professor, elevar a qualidade do ensino e aumentar a eficiência do sistema educacional brasileiro.

 

Proponho, ainda, que o futuro governo consulte experiências nacionais bem-sucedidas de construção coletiva de políticas públicas, como a 8ª Conferência Nacional de Saúde, realizada em 1986, que contribuiu decisivamente para a criação do Sistema Único de Saúde (SUS), bem como o Projeto Brasil 2020, desenvolvido no âmbito dos Ministérios da Saúde e do Planejamento durante os governos dos Presidentes José Sarney e Fernando Henrique Cardoso.

 

Essas experiências podem servir de referência para a realização de uma grande Conferência Nacional da Educação, reunindo professores, pesquisadores, universidades, instituições de ensino e especialistas, com o propósito de elaborar propostas que orientem a educação brasileira a partir de 2030.

 

Tive a honra de participar desses importantes momentos da administração pública: em 1986, representando o INAMPS, como Diretor Regional de Pessoal, e, em 1998, representando o Sistema Cooperativista da Bahia como superintendente.

 

Por fim, é importante lembrar que a escassez de líderes preparados, a fragilidade das instituições públicas e a insuficiência de investimentos em educação estão entre os principais fatores que contribuíram para o enfraquecimento dos valores éticos e morais da sociedade brasileira.

 

A educação continua sendo o maior investimento que uma nação pode fazer para construir um futuro de desenvolvimento, justiça social e cidadania.

 

Alderico Sena -Especialista em Gestão de Pessoas. Ex-Assessor da UFBA/CCPPG/PROPED e do IAT – Instituto Anísio Teixeira. - @aldericosena – www.aldericosena.com

 

 

A Constituição Federal assegura, em seu art. 1º, os fundamentos da República, entre eles a cidadania e a soberania. Em seu parágrafo único, estabelece que: “Todo o poder emana do povo.”

 

A administração pública direta e indireta, em qualquer dos Poderes da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios, necessita de quatro pilares fundamentais em seus agentes públicos: caráter, competência, comportamento, compromisso e liderança, para fazer cumprir os princípios estabelecidos no art. 37 da Constituição Federal: legalidade, impessoalidade, moralidade, publicidade e eficiência.

 

A China cresce e desperta preocupação em diversas economias do mundo. O Brasil, apesar de suas imensas riquezas naturais, territoriais e de seu potencial econômico, ainda enfrenta enormes dificuldades para alcançar um desenvolvimento compatível com suas possibilidades. Por quê?


A ineficácia de muitos governos, o excesso de burocracia, a falta de ética, a corrupção, o nepotismo, a impunidade e tantos outros problemas da administração pública levam a uma reflexão inevitável: de quem é a responsabilidade? O povo, muitas vezes, limita-se a reclamar, votar e pagar impostos. 

 

Se a sociedade realmente deseja contribuir para um Brasil melhor, precisa participar de forma consciente da vida política, cobrando propostas consistentes, defendendo reformas que fortaleçam as instituições e exercendo seu direito ao voto com responsabilidade. A mudança começa pela consciência política do eleitor.


Ao longo de décadas, tenho alertado a sociedade por meio de artigos publicados na imprensa. Entretanto, muitos permanecem acomodados, assistindo, como meros espectadores, aos desmandos praticados contra a população e contra o Brasil. Como já dizia o filósofo grego Platão: “O preço da omissão dos bons é ser governado pelos maus.”

 

O Brasil somente alcançará um novo patamar de desenvolvimento quando educação de qualidade, ética, cidadania e consciência política caminharem juntas. A Constituição atribui ao povo o poder de decidir os destinos da Nação por meio do voto. Portanto, cada eleitor deve exercer esse direito com responsabilidade, escolhendo representantes comprometidos com o interesse público.


Nenhum país se transforma sem a participação consciente de seu povo. A mudança que desejamos para o Brasil começa na urna, mas nasce na educação, no caráter, no comportamento e no compromisso de cada cidadão.

Povo educado, país desenvolvido.

 

Alderico Sena – Especialista em Gestão de Pessoas @aldericosena – site: aldericosena.com – Consulte e leia excelentes artigos com o puro jornalismo

 

Colunista Destaque – Alderico Sena


Um novo segmento precisa ser criado e integrado ao Sistema S: o SESPOC – Serviço Social do Esporte, Arte e Cultura. Essa instituição seria uma importante ferramenta de inclusão social para jovens talentosos, especialmente aqueles oriundos das periferias, que enfrentam grandes dificuldades sociais e financeiras para desenvolver seus talentos.

 

Basta observar a trajetória de inúmeros atletas brasileiros que participaram ou participam de Olimpíadas e Copas do Mundo. A grande maioria veio de famílias humildes e superou enormes obstáculos para alcançar o sucesso. O mesmo ocorre nas áreas da arte e da cultura.

 

O Brasil atravessa um momento em que carece de grandes líderes e ídolos que sirvam de referência para as novas gerações. Homens e mulheres que representaram o País com honra, dignidade e compromisso estão se despedindo, deixando um legado de orgulho, alegria, emoção e inspiração para milhões de brasileiros.

 

O que estamos formando após a extraordinária geração das décadas de 1970 e 1980?

O Brasil se despede de gigantes que marcaram nossa história, como Luiz Gonzaga, Garrincha, Pelé, Ayrton Senna, Oscar Schmidt, Getúlio Vargas, Tancredo Neves e tantos outros que ajudaram a construir a identidade nacional em diferentes áreas.

 

Carrego comigo uma frase de Ayrton Senna que procuro seguir diariamente:

“Eu ajudo a construir um Brasil melhor.”

 

E hoje?

 

Quem serão as grandes referências das futuras gerações?

 

Os talentos da chamada “velha guarda” estão partindo para o descanso eterno, enquanto a renovação ocorre de forma lenta e sem o apoio necessário.

 

Milhares de jovens brasileiros deixam de realizar seus sonhos simplesmente porque suas famílias não possuem condições financeiras para custear transporte, alimentação, equipamentos, materiais, mensalidades ou treinamento especializado.

 

Basta analisar a história de grandes talentos brasileiros que venceram graças ao enorme esforço de seus pais e familiares. Entre tantos exemplos estão Rebeca Andrade, Rayssa Leal, Acelino “Popó” Freitas e Beatriz Souza, que demonstram como dedicação, oportunidade e investimento podem transformar vidas e levar o nome do Brasil ao mais alto nível.

 

O esporte, a arte e a cultura representam um patrimônio extraordinário para o desenvolvimento nacional. Além de promoverem inclusão social, contribuem significativamente para a geração de emprego, renda, turismo, cidadania e desenvolvimento humano.

 

Por essa razão, torna-se urgente a criação do SESPOC, integrando-o ao Sistema S, com a missão de investir na formação, qualificação e desenvolvimento de crianças, adolescentes e jovens talentosos em todo o território nacional.

 

Senhor Presidente da República

O último “S” criado no Brasil foi o SESCOOP – Serviço Nacional de Aprendizagem do Cooperativismo, instituído pela Medida Provisória nº 1.715/1998 e regulamentado pelo Decreto nº 3.017/1999, durante o governo do Presidente Fernando Henrique Cardoso.

 

O Sistema S é composto por entidades privadas de interesse público voltadas à formação profissional, assistência social, pesquisa, consultoria e desenvolvimento econômico. Seu nome deriva da letra “S”, presente na denominação dessas instituições.

Atualmente, o Sistema S é formado por nove entidades:

  • SESI – Serviço Social da Indústria;

  • SENAI – Serviço Nacional de Aprendizagem Industrial;

  • SESC – Serviço Social do Comércio;

  • SENAC – Serviço Nacional de Aprendizagem Comercial;

  • SEST – Serviço Social do Transporte;

  • SENAT – Serviço Nacional de Aprendizagem do Transporte;

  • SENAR – Serviço Nacional de Aprendizagem Rural;

  • SEBRAE – Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas;

  • SESCOOP – Serviço Nacional de Aprendizagem do Cooperativismo.

Essas entidades são mantidas, principalmente, por contribuições compulsórias recolhidas pelos respectivos setores econômicos.

Em 27 de outubro de 2022 publiquei, no portal Notícia Livre, o artigo propondo a criação do SESPOC – Serviço Social do Esporte, Arte e Cultura. Posteriormente, em 7 de novembro de 2022, voltei a defender essa proposta no artigo “Por que é importante criar o SESPOC – Serviço Social do Esporte, Arte e Cultura”.

 

Hoje, renovo esse apelo.

 

A sociedade brasileira precisa conhecer essa proposta.

 

 

O Brasil possui cerca de 17,5 milhões de pessoas vivendo em favelas, onde existem milhares de talentos extraordinários na arte, na cultura e no esporte. Esses jovens necessitam de oportunidades, investimentos e apoio para transformar seus sonhos em realidade, afastando-se da violência, das drogas e da criminalidade.

Investir em talentos é investir na construção de um Brasil melhor.

Recordo um comentário de minha filha, Maiana Sena, bailarina, quando conversávamos sobre essa proposta:

“É triste, pai, ver tantos talentos da arte, do esporte e da cultura vivendo longe de suas famílias, em outros países, porque aqui não encontram apoio, valorização nem reconhecimento. Muitos não desejam voltar ao Brasil justamente por essa falta de incentivo.”

 

Essa reflexão reforça ainda mais a necessidade de políticas permanentes de incentivo aos nossos talentos.

 

Faço referência à Medida Provisória nº 1.715/1998 e ao Decreto nº 3.017/1999 porque esses atos normativos instituíram o SESCOOP, o mais recente integrante do Sistema S. O objetivo é oferecer um precedente legal que possa servir de consulta ao Senhor Presidente da República, aos Parlamentares e às respectivas assessorias, demonstrando que a criação de uma nova entidade nacional destinada ao esporte, à arte e à cultura encontra respaldo na experiência institucional brasileira.

 

Investir nesses segmentos não é gasto. É investir na educação, na cidadania, na inclusão social e no futuro do Brasil.

 

Criar o SESPOC significa investir no maior patrimônio do Brasil: o seu povo.

 

Alderico Sena – Membro Fundador e Ex-Superintendente do SESCOOP – Bahia@aldericosena sitewww.aldericosena.com

 

 

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