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Colunista Destaque – Alderico Sena


Por Alderico Sena – Especialista em Gestão de Pessoas

 

O crescimento sustentável de um país está diretamente ligado à qualidade de seus líderes. No entanto, vivemos uma escassez de liderança ética, agravada pela fragilidade dos poderes constituídos e pela falta de investimentos consistentes em educação. Esses fatores contribuíram para a banalização dos valores morais e éticos nos Poderes constituídos e na sociedade.

 

A crise política, moral e institucional que enfrentamos no Brasil decorre, em grande parte, da ausência de líderes comprometidos com o bem comum. Não temos mais referências políticas como nos tempos em que a política era exercida com elevação, idealismo e responsabilidade. Antigamente, os atores políticos se revezavam na missão de defender ideias com base em argumentos sólidos, guiados por valores institucionais. Hoje, a falta de lideranças éticas é a principal causa da crise institucional que assola o país.

 

A escassez de ética no mundo atual também é reflexo da má qualidade do ensino e da carência de pensadores com uma visão de futuro para o Brasil. Muitos profissionais recém-formados deixam de cumprir os compromissos éticos assumidos em seus juramentos, o que compromete o desenvolvimento da nação.

 

O juramento profissional é uma declaração solene de compromisso com os princípios éticos da profissão. Ele é essencial para assegurar a integridade, a responsabilidade e o respeito às normas que regem cada área de atuação. Político e Profissionais como medicina, direito e engenharia, dentre outras, exigem uma conduta ética rigorosa, pois suas decisões impactam diretamente a vida das pessoas. O juramento deve ser um guia permanente de comportamento — pautado pela honestidade, competência e respeito — e uma fonte de confiança da sociedade no exercício profissional.

 

É preciso ser, para depois ter. O valor do ser humano não deve ser medido pelo que possui, mas pelo que faz com o conhecimento adquirido, com profissionalismo e compromisso institucional. O culto ao individualismo gera egoísmo, e este, por sua vez, é a raiz de muitas formas de violência. Ao longo das duas primeiras décadas do século XXI, testemunhamos o crescimento de atitudes hipócritas, ambiciosas e antiéticas, que vêm contribuindo para a degradação das relações sociais e o aumento da violência.

 

 

 

 

 

 

 

 

O ser humano precisa compreender que tudo o que é ilegal, também é imoral. Alguns têm caráter; outros, apenas preço — e caráter não se vende. A ética deve estar presente em todos os ambientes: familiar, social e profissional. Ela é indispensável para a convivência harmoniosa entre as pessoas, para a qualidade dos serviços prestados à sociedade e para garantir aos princípios da legalidade, impessoalidade, moralidade e eficiência na administração pública, como estabelece o artigo 37º da Constituição Federal.

 

Mas afinal, o que é ser ético? Em uma definição simples: é agir corretamente, sem prejudicar o outro. A ética se baseia em valores morais culturais, que podem variar com o tempo e o espaço, mas mantêm fundamentos universais. A ética é também uma questão individual, nascida de um conjunto de princípios que resistem ao tempo. O que falta não são profissionais no mercado — o que falta é profissionalismo.

 

Algumas virtudes éticas essenciais incluem:

  • Honestidade, para construir credibilidade por meio de relações francas;

  • Coragem, para assumir decisões e responsabilidades;

  • Tolerância e flexibilidade, para ouvir e avaliar antes de julgar;

  • Integridade, para manter-se fiel aos valores mesmo diante das pressões;

  • Humildade, para reconhecer que o sucesso é coletivo e não apenas pessoal.

Para ser leal com o próximo, é preciso, antes de tudo, ser leal consigo mesmo. Só assim poderemos construir uma sociedade mais justa, educada, fraterna e solidária. Tudo passa por uma combinação de serenidade, disciplina, equilíbrio, limites, consciência profissional, política e, sobretudo, educação. Porque é a educação que forma o cidadão.

 

Um poeta anônimo sintetizou muito bem o verdadeiro conceito de ética:“Vigie seus pensamentos, porque eles se tornarão palavras; vigie suas palavras, porque elas se tornarão seus atos; vigie seus atos, porque eles se tornarão seus hábitos; vigie seus hábitos, porque eles se tornarão seu caráter; vigie seu caráter, porque ele será o seu destino.”

 

A escassez de ética no mundo contemporâneo é, sim, alarmante. É hora de a humanidade rever seus conceitos morais e éticos, com vistas a construir um Brasil mais justo e promissor para as futuras gerações.

 

www.aldericosena.com / @aldericosena

 

Colunista Destaque – Alderico Sena


O Brasil vive uma profunda crise que atinge a todos: idosos, jovens, trabalhadores e famílias. Reconstruir o país exige o exercício pleno da cidadania, com olhar firme nas futuras gerações.

A sociedade precisa reagir e mostrar aos políticos que agem em benefício próprio, de partidos ou grupos, que o povo não é carta marcada nem “bobo da corte”. É preciso dizer não à corrupção, à violência e à inércia que impedem o crescimento socioeconômico da nação.

Na promulgação da Constituição de 1988, o então presidente da Assembleia Nacional Constituinte, Deputado Ulisses Guimarães, foi enfático: “A única coisa que mete medo em político é o povo na rua.”

O povo deve exigir que o governo inclua no Código Penal a corrupção contra o erário público como crime hediondo, com pena mínima de 30 anos, a exemplo de desvios no INSS e em outras áreas. O Brasil não suporta mais tanta impunidade.

Virtudes cívicas

“As virtudes cívicas dos que governam são qualidades morais e atitudes de dedicação à comunidade, que promovem o bem-estar coletivo acima dos interesses próprios. Justiça, honestidade, moderação e dedicação à coisa pública são essenciais para o bom funcionamento de uma república democrática, garantindo a participação ativa dos cidadãos e a manutenção de um governo responsável e transparente.”

Esses valores estão consagrados nos Artigos 1º (parágrafo único) e 37º da Constituição Federal.

O papel do parlamento e o exemplo das ruas

O Congresso Nacional não pode ser palco de espetáculos, mas espaço de seriedade e responsabilidade. Estádios servem para torcidas e explosões de alegria; o parlamento, para representar a sociedade com inteligência e urbanidade.

O povo, ao ir às ruas, lembrou a seus representantes que “nós voltamos”. As manifestações não foram apenas protestos: foram um grito de esperança e de exigência de mudanças.

 

Um chamado à responsabilidade

A população pede novas respostas para as crises políticas, sociais e econômicas. Não há espaço para interesses mesquinhos, práticas do “centrão” e jogos de poder que apenas alimentam corrupção e desinformação.

A pluralidade das manifestações revela um broto de esperança: a cidadania pode reverter os cenários de crise. Para isso, exige-se coragem das lideranças, movimentos sociais, formadores de opinião e agentes políticos. É preciso diálogo, generosidade e compromisso com o bem comum – não omissão.

O povo não busca salvadores da pátria, mas representantes que, no cotidiano, façam da política um instrumento de serviço. A lição das ruas prova o poder transformador da cidadania e o desejo coletivo de justiça, ética e verdade.

A força do voto

Ser político é servir ao público e ao país – não a interesses pessoais ou de grupos. Esse é o único caminho para a reconstrução do Brasil.

Em 2026, valorize o seu voto e valorize a si mesmo, eleitor. Querer é poder. Seja a mudança!

 

Alderico Sena – Especialista em Gestão de Pessoas e Coordenador de Pessoal da Assembleia Estadual Constituinte de 1989 – @aldericosena -site:aldericosena.com

 

Colunista Destaque – Alderico Sena


Preservar o meio ambiente é preservar a vida. O alimento, a saúde e a produção industrial dependem diretamente dele, em especial da água. Entretanto, a educação encontra-se tão fragilizada que parte da população, políticos e governantes desconhecem o verdadeiro sentido de cidadania, soberania e dever cívico na defesa dos interesses coletivos e do país.

Como bem afirmou Lima Barreto: “O Brasil não tem povo, apenas público. Povo luta por seus direitos, público só assiste de camarote — e só sabe votar nas eleições.”

Segundo levantamento, “a água é um recurso natural muito utilizado e pouco cuidado. Essa é a percepção de sete em cada dez brasileiros, de acordo com a pesquisa A percepção dos brasileiros sobre segurança hídrica, realizada pela The Nature Conservancy Brasil (TNC), com apoio técnico do Instituto Ipsos. Além disso, 78% da população percebe aumento da poluição das águas nos últimos quatro anos no país”.

A percepção popular coincide com os dados do Atlas do Saneamento, divulgado pela Agência Nacional de Águas e Saneamento Básico (ANA) em 2017, que mostrou que o Brasil tem cerca de 114 mil quilômetros de rios com a qualidade da água comprometida, extensão equivalente a quase três vezes a circunferência da Terra.A falta de vontade política para a revitalização do Rio Joanes revela um analfabetismo ecológico inaceitável por parte dos governantes, parlamentares e também da sociedade. O descaso é agravado pela ausência da disciplina de educação ambiental e associativa nas escolas, prevista desde 1989 na Constituição do Estado da Bahia. O Artigo 49º das Disposições Transitórias estabelece a criação da matéria de educação associativa a partir do ensino fundamental e médio, para preparar os estudantes com valores de cooperação e solidariedade. Já se passaram 37 anos sem que essa determinação fosse cumprida.

Somente poderemos formar bons cidadãos se ensinarmos as crianças, desde cedo, a exercer sua cidadania. A Constituição Federal, em seu Art. 23º, determina que é competência comum da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios proteger o meio ambiente e combater a poluição em qualquer de suas formas. E o Art. 225º reforça: “Todos têm direito ao meio ambiente ecologicamente equilibrado, bem de uso comum do povo e essencial à sadia qualidade de vida, impondo-se ao Poder Público e à coletividade o dever de defendê-lo e preservá-lo para as presentes e futuras gerações.”

 

O Rio Joanes está morto, e cabe ao Ministério Público convocar os prefeitos de São Francisco do Conde, São Sebastião do Passé, Candeias, Dias D’Ávila, Camaçari, Simões Filho, Lauro de Freitas e Salvador — municípios responsáveis pelo despejo de esgoto in natura em seus afluentes. É igualmente necessária a atuação da Assembleia Legislativa da Bahia, por meio da Comissão de Meio Ambiente, bem como da Embasa e do Inema.

Para a revitalização do Rio Joanes — e de outros rios da região — falta vontade política. Proponho que a Presidência da Assembleia Legislativa convoque uma Sessão Especial com a participação de prefeitos, secretários de Meio Ambiente do Estado e dos municípios da Região Metropolitana, Embasa, Inema, OAB, Ministério Público, UFBA, UNEB, Unifamec, além de representantes da sociedade civil organizada, condomínios, sindicatos e empresas que utilizam a água em seus processos produtivos. É fundamental construir uma solução colaborativa para a criação do Consórcio Interfederativo da Bacia do Joanes.

Sem conscientização e engajamento da sociedade civil, vereadores, deputados, prefeitos e do próprio governador, será impossível avançar. É urgente a criação de uma verdadeira Força-Tarefa para despoluir a Bacia do Rio Joanes. Caso contrário, todos continuarão consumindo água contaminada.

 

Desafios para a revitalização de rios

Pesquisas apontam que os entraves à recuperação dos rios envolvem fatores técnicos, sociais e políticos:

Desafios técnicos e de infraestrutura:

  • Tratamento de esgoto: ausência de redes coletoras e de estações adequadas, sendo o esgoto não tratado o principal poluente.

  • Resíduos industriais: muitas empresas não tratam seus efluentes antes do descarte.

  • Desassoreamento: o acúmulo de sedimentos e lixo dificulta a circulação da água, e a remoção é complexa e cara.

 

  • Desafios políticos e de gestão:

  • Gestão fragmentada: rios que atravessam vários municípios sofrem com diferentes prioridades administrativas.

  • Falta de recursos: projetos de saneamento e revitalização exigem altos investimentos, nem sempre disponíveis.

 

  • Problemas ambientais e sociais:

  • Poluição difusa: descarte de lixo, agrotóxicos, plásticos e produtos químicos contaminam as águas.

  • Desmatamento: a retirada da mata ciliar reduz a filtragem natural da água.

  • Falta de conscientização: grande parte da população não reconhece o impacto de suas atitudes no equilíbrio ambiental.

Desde sua fundação, em 2008, a OSCIP Rio Limpo tem buscado, por meios legais, soluções junto às autoridades municipais, estaduais, federais e ao Ministério Público para a despoluição do Rio Joanes. Foram promovidos seminários, workshops, audiências públicas e Sessões Especiais na Assembleia Legislativa — sem que a revitalização fosse efetivamente assumida como prioridade por governos, deputados, vereadores e sociedade organizada. Isso comprova a falta de vontade política.

Revitalizar o Rio Joanes — assim como os demais rios — é dever do governo, conforme determina o Artigo 225º da Constituição Federal: “defendê-lo e preservá-lo para as presentes e futuras gerações.”


Preservar o meio ambiente é preservar a vida! COMPARTILHE!


Alderico Sena – Especialista em Gestão de Pessoas, Coordenador de Pessoal da Assembleia Estadual Constituinte-89 e Ex-Superintendente da OCEB – Organização das Cooperativas do Estado da Bahia. Site: aldericosena.com

  • Foto: Gabriele Dinigre

 

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