Envelhecimento populacional no novo século Redação 13 de novembro, 2025 - Notícia Livre
- Alderico Sena Sena
- 14 de nov. de 2025
- 3 min de leitura
No meu artigo “Envelhecimento populacional no novo século”, publicado na Tribuna da Bahia, edição de sexta-feira, 16 de setembro de 2011, busquei alertar o governo de que o envelhecimento populacional é uma realidade no Brasil e representa um grande desafio a ser amplamente debatido pela sociedade.
Envelhecer é um triunfo. No entanto, é preciso afeto, respeito, solidariedade e consciência — tanto da família quanto do governo e da sociedade — para garantir dignidade à pessoa idosa. Todos os jovens têm dentro de si o idoso de amanhã!
O tema da redação do Enem 2025, “Perspectivas acerca do envelhecimento na sociedade brasileira”, foi de fundamental importância por estimular a reflexão e a conscientização dos jovens. Acredito que muitos estudantes encontraram dificuldades ao redigir sobre o assunto, devido à falta de ensinamentos em casa e na escola sobre a importância e a experiência dos idosos na sociedade.
Se os jovens não forem educados para defender os direitos assegurados pela Constituição, o futuro continuará sendo de exclusão e desrespeito à pessoa idosa.
Artigo 230 da Constituição Federal: “A família, a sociedade e o Estado têm o dever de amparar as pessoas idosas, assegurando sua participação na comunidade, defendendo sua dignidade e bem-estar e garantindo-lhes o direito à vida.”
Respeitar a pessoa idosa é tratar o próprio futuro com respeito! Só poderemos formar boas gerações se ensinarmos as crianças, desde as primeiras letras, a serem cidadãos conscientes, solidários e comprometidos com o bem comum.
Falta de políticas públicas e de respeito
No programa Fantástico do último domingo (09/11/2025), foi exibida uma reportagem sobre a falta de regulamentação da profissão de cuidadores e os maus-tratos a pessoas idosas.
A questão da velhice, infelizmente, sempre foi colocada em segundo plano nas políticas públicas. O resultado é uma sociedade carente de programas e serviços de atenção ao idoso. Muitos vivem sem apoio familiar ou institucional, em total descumprimento do que determinam o Art. 230 da Constituição Federal, a Lei nº 8.842/1994 (Política Nacional do Idoso), regulamentada pelo Decreto nº 1.948/1996, e o Estatuto do Idoso (Lei nº 10.741/2003).
Direitos que ainda não saíram do papel
O Decreto nº 1.948/1996 assegura aos idosos diversos direitos que, lamentavelmente, não são plenamente cumpridos pelos governos federal, estaduais e municipais. Entre eles:
Apoiar programas e projetos que melhorem a qualidade de vida e a integração da pessoa idosa à comunidade;
• Estimular parcerias entre instituições públicas e privadas para criação de centros de convivência, casas lares e atendimento domiciliar;
• Promover campanhas educativas sobre o envelhecimento e capacitar profissionais para o atendimento humanizado;
• Financiar estudos, pesquisas e encontros voltados à valorização da pessoa idosa;
• Criar banco de dados nacional e coordenar o Benefício de Prestação Continuada (BPC).
A Política Nacional do Idoso prioriza o atendimento não asilar, com ações descentralizadas que devem contemplar:
Centros de Convivência, Centros de Cuidados Diurnos, Casas Lares, Atendimento Domiciliar, Oficinas Abrigadas de Trabalho e Atendimento Asilar.
Envelhecimento: uma realidade que exige ação
Em meu artigo “O Envelhecimento Populacional é uma Realidade”, publicado no jornal A Tarde (edição de 15/04/2021), voltei a alertar que o envelhecimento populacional é um desafio crescente e precisa ser amplamente debatido pela sociedade.
Faltam políticas públicas efetivas e hospitais específicos para idosos, apesar das inúmeras reivindicações encaminhadas aos governos Federal, Estadual e Municipal de Salvador. Resta a pergunta: O Hospital do Homem e do Idoso foi, de fato, inaugurado?
O idoso deve ser reconhecido como trabalhador e patrimônio do Brasil, pois foram eles que contribuíram para o crescimento e o desenvolvimento do país.
O poder e a consciência política: o voto do idoso tem força
O respeito e o reconhecimento só ocorrerão quando os idosos se mobilizarem nas eleições para transformar o cenário de desrespeito e descaso. A consciência política é essencial, considerando o poder eleitoral dessa população.
Segundo pesquisa, o Brasil possui cerca de 61,3 milhões de aposentados e pensionistas. Multiplicando-se por uma média de quatro eleitores por família, são 122,6 milhões de votos — número capaz de eleger representantes em todos os 5.570 municípios, nos 26 estados, no Distrito Federal e até a Presidência da República.
Rui Barbosa afirmou:“ Quem não luta pelos seus direitos não é digno deles.”
Uma conquista importante
Uma recente decisão do Supremo Tribunal Federal (STF) representa um avanço: Os planos de saúde não podem reajustar mensalidades de beneficiários com mais de 60 anos com base na faixa etária, mesmo em contratos anteriores ao Estatuto do Idoso. A exclusão por idade avançada é considerada ilegal e discriminatória.
Amigos, quem quer respeito, se respeita. Querer é poder. Seja a mudança! Vamos lutar por um Brasil que valorize seus idosos, porque respeitar o idoso é respeitar o nosso próprio amanhã.
Alderico Sena – Especialista em Gestão de Pessoaswww.aldericosena.com | Instagram: @aldericosena

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