A Violência contra a mulher: responsabilidade de toda a sociedade - Notícia Livre
- Alderico Sena Sena
- há 19 horas
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Redação 12 de Janeiro de 2026
A Violência contra a mulher: responsabilidade de toda a sociedade. É crime. É covardia. E é responsabilidade de toda a sociedade.
Somente em 2025, cerca de 3,7 milhões de brasileiras sofreram violência doméstica ou familiar. Esse dado alarmante deixa claro que não estamos diante de um problema individual ou restrito ao ambiente privado. Trata-se de uma falha coletiva que envolve a família, a sociedade, a escola, a igreja e o Estado.
Uma relação saudável entre homem e mulher se constrói sobre pilares simples e essenciais: diálogo, respeito, confiança, autonomia, intimidade e compartilhamento de responsabilidades. No entanto, vivemos uma grave inversão de valores. O respeito e a dignidade vêm sendo substituídos pela ambição, pela hipocrisia, pelo poder e pelo controle — terreno fértil para a violência.
A mulher exerce um papel fundamental na estrutura social. Em muitos lares, ela cuida da casa, dos filhos, da família e ainda trabalha fora para garantir o sustento. Na prática, são três jornadas diárias em defesa da família. Ainda assim, continua sendo alvo de agressões físicas, psicológicas, morais, patrimoniais, sexuais e até políticas.
A realidade da mãe solo evidencia outro grave problema: a ausência paterna. Filhos precisam de pai presente — não apenas como provedor, mas como referência emocional, afetiva e educativa. A desestruturação familiar cobra um preço alto e se reflete diretamente no aumento da violência.
Diante desse cenário, é inevitável a pergunta: por que ainda existe tanta violência contra a mulher?
A resposta passa, necessariamente, pela educação. Educação não se resume à escola; ela começa em casa e se revela no exemplo, nas atitudes e no comportamento cotidiano dos pais. É na educação dos filhos que se manifestam as virtudes — ou a ausência delas — dos adultos.
Guardo um ensinamento simples e profundo da minha mãe: “No relacionamento é normal discordar. Mas quando um não quer, dois não brigam. E discussão nunca deve acontecer na frente dos filhos.” Essa orientação resume valores como respeito, autocontrole e responsabilidade emocional — fundamentos essenciais para a convivência saudável.
A violência nasce da ignorância, da ideia de posse, do ciúme excessivo e de uma cultura que associa masculinidade ao domínio e ao controle. Por isso, é urgente repensar os modelos de masculinidade que estamos reproduzindo. Onde estão os homens conscientes, que reconhecem que suas mães, esposas, irmãs, filhas ou netas já sofreram ou ainda sofrem violência?
É preciso afirmar com clareza: homem que violenta mulher é covarde. Não há justificativa cultural, emocional ou social que legitime a agressão.
O Estado também precisa assumir plenamente o seu papel. Leis existem, mas sua efetividade depende de fiscalização, monitoramento e punições rigorosas. Medidas protetivas sem acompanhamento não garantem segurança e, muitas vezes, deixam a vítima ainda mais vulnerável.
Outro ponto fundamental é a participação feminina na política. No Brasil, a maioria do eleitorado é composta por mulheres. Ainda assim, sua representação nos espaços de poder é insuficiente. Defender a presença feminina na política é defender voz, voto e poder de decisão para quem sente, na pele, as consequências da desigualdade e da violência.
Nada muda se a mulher não quiser mudar. Mas nenhuma mulher deve mudar sozinha. A transformação exige união, organização, solidariedade e compromisso coletivo. Como no lema dos Três Mosqueteiros: “Um por todos e todos por um.”
Precisamos construir um Brasil melhor, mais justo e mais humano para todos. O enfrentamento da violência contra a mulher não é uma pauta ideológica — é uma questão de civilidade, justiça e dignidade. Juntos, somos mais fortes.
Alderico Sena - Especialista em Gestão de Pessoaswww.aldericosena.com

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