Cadê os Movimentos Sociais? A Cidadania Precisa de Voz para Reconstruir o Brasil 3 de agosto, 2025 - Noticia Livre
- Alderico Sena Sena
- 4 de ago
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Colunista – Alderico Sena
Vamos passar o Brasil a limpo para as futuras gerações? O uso do dinheiro público precisa ser respeitado!
Três pilares impedem o crescimento e o desenvolvimento do Brasil: a precariedade da educação, a despolitização e a desinformação do povo — como bem alertou o educador e companheiro de partido Darcy Ribeiro: “A crise da educação no Brasil não é uma crise; é um projeto.”
Os movimentos sociais sempre foram a alma da democracia. Surgem do inconformismo, da luta por direitos e da esperança por um país mais justo. No Brasil, já presenciamos mobilizações históricas — do sindicalismo ao feminismo, do movimento estudantil às Diretas Já. Mas por que, então, esses movimentos parecem ter perdido força na defesa de um Brasil melhor para todos?
As razões são diversas: mudanças de foco, perda de representatividade, fragmentação das lideranças e o impacto das redes sociais, que muitas vezes substituem a ação coletiva por manifestações digitais efêmeras. No entanto, ainda há esperança. A sociedade continua clamando por saúde, educação, segurança, trabalho digno, menos desigualdade e ética na política. O Brasil precisa redescobrir essa energia.
É urgente o fortalecimento de movimentos sociais independentes, respeitados, com lideranças comprometidas com ideias e projetos voltados ao crescimento e ao desenvolvimento, para que a sociedade civil recupere sua liberdade e seu espaço no debate público — livre de amarras partidárias.
Onde estão os movimentos nas ruas? É preciso dar ouvidos à célebre frase do presidente da Assembleia Nacional Constituinte, deputado federal Ulysses Guimarães: “A única coisa que mete medo em político é o povo na rua.” Precisamos de mobilização para combater a imoralidade da politicagem visível no Congresso Nacional, como o aumento do número de deputados federais de 513 para 531 e a ampliação do mandato de senador de 8 para 10 anos. Parlamentares seguem legislando em causa própria, ampliando seus privilégios sem consultar a população.
O dinheiro público pertence à sociedade — não a partidos ou governos — e deve ser aplicado com zelo, responsabilidade, transparência, impessoalidade e ética. Seu destino deve ser o bem comum e o desenvolvimento socioeconômico do país, não o sustento de privilégios, como as emendas secretas, gratificações e benefícios milionários concedidos a determinadas classes dos Três Poderes. A cultura vigente é a de poucos com muito e muitos com poucos recursos — razão do crescimento das desigualdades sociais, da fome, da miséria e da violência no país.
Enquanto isso, o trabalhador sobrevive com um salário mínimo de R$ 1.518,00, e os aposentados — que tanto contribuíram — veem seus benefícios corroídos ano após ano, sem acesso a qualquer tipo de vantagem ou mordomia. Indignação é a palavra de ordem!
A hora é de ação, não de omissão. A sociedade brasileira precisa se reorganizar. A verdadeira “CPI do eleitor” será o voto consciente em 2026. Exercer a cidadania e lutar por um Brasil mais justo é missão de todos nós.
Para apontar novos rumos ao Brasil, é essencial considerar os seguintes aspectos:
Desenvolvimento Regional: incentivar a produção local com a integração de pequenos produtores, por meio de programas como o PRONAF — Programa Nacional de Fortalecimento da Agricultura Familiar.
Educação e Desenvolvimento Vocacional: priorizar a educação associativa e ambiental desde o ensino básico, capacitando alunos em cooperativismo e empreendedorismo, com foco na geração de emprego, trabalho e renda nos bairros e nos 5.570 municípios do país.
Inovação e Tecnologia: valorizar o capital humano e promover a inovação tecnológica para aumentar a competitividade e a sustentabilidade.
Economia Sustentável: focar na transição energética e na preservação ambiental, considerando também o papel estratégico do agronegócio.
Políticas Públicas: estabelecer um plano nacional com metas de curto, médio e longo prazos, voltado ao desenvolvimento humano e econômico equitativo.
Esses elementos são fundamentais para moldar o futuro do Brasil e garantir um desenvolvimento sustentável e justo.
A sociedade só tem deveres; direitos, nenhum. Aceita passivamente aumentos abusivos de energia, combustível, gás, alimentos, pedágios, ISS, ICMS, IPTU, IPVA, planos de saúde, entre outros. E qual a reação da sociedade?
O povo brasileiro precisa refletir sobre a mensagem do escritor Lima Barreto:“O Brasil não tem povo, apenas público. Povo luta pelos seus direitos; público só assiste de camarote.”
É hora de transformar o público em povo, revitalizar os movimentos sociais, reacender o debate público e defender as reformas política e administrativa. É preciso acabar com o nepotismo, proibindo indicações políticas para cargos diretivos e de conselheiros em instituições de controle e fiscalização dos Poderes Executivo e Judiciário — como vem ocorrendo nos Tribunais de Contas da União, dos Estados e dos Municípios.
Também é urgente eliminar bonificações abusivas de grupos privilegiados do funcionalismo público e pôr fim à reeleição na administração pública — direta, indireta ou fundacional — em qualquer dos Poderes da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios, bem como em instituições parafiscais que recebem recursos públicos, como o Sistema S, Confederações, Fundações e outras entidades.
É necessário, ainda, reduzir o número de partidos políticos para cinco — esquerda, centro-esquerda, centro, direita e extrema-direita. Essa medida evitaria o desperdício de recursos com as festas do fundo partidário, além de trazer mais clareza, representatividade e moralidade ao cenário político.
Outro ponto crucial é garantir eleições diretas para dirigentes de instituições públicas atualmente indicados por governadores e pelo Presidente da República, em consonância com o artigo 37 da Constituição Federal, que estabelece os princípios da legalidade, impessoalidade, moralidade e eficiência.
Acredito que muitos representantes públicos desconhecem o conceito de virtudes cívicas daqueles que governam a coisa pública. Agem como se o que é ilegal fosse também moral. Aprendi em casa que é preciso ser para ter, enquanto alguns representantes visam apenas o ter, sem jamais se preocupar com o ser.
A alternância de poder é essencial, pois poder e capital concentrados alimentam a corrupção, a violência e a impunidade. A cidadania precisa de voz — e essa voz é coletiva. Cumprir a Constituição é dever de todos, lembrando que: “Todo poder emana do povo.”
Somente assim poderemos alcançar os objetivos fundamentais da República, com os Três Poderes constituídos, fortes, independentes e respeitados, para construir, com as novas gerações, uma sociedade livre, justa, solidária e menos desigual.
Essa é a bandeira que defendo para reconstruir o Brasil — com ações concretas, em defesa da Ordem e Progresso — por um país melhor para as futuras gerações.
Lembrando aos eleitores: quando o eleitor troca o voto por um favor pessoal, elege um candidato corrupto e prejudica milhões de brasileiros — inclusive sua própria família. Querer é poder! Seja a mudança!
Alderico Sena – Especialista em Gestão de Pessoas, Ex-Presidente do Movimento dos Aposentados na Bahia e Vice-Presidente Nacional do MAPI/PDTSite: aldericosena.com