Deus criou a mulher para ser amada não violentada Noticia Livre

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O8 de março comemora-se o Dia Internacional da Mulher. “A criação do Dia Internacional da Mulher dá-se no final do século XIX, no contexto da Segunda Revolução Industrial e da Primeira Guerra Mundial, quando ocorre a incorporação da mão-de-obra feminina, em massa, ao operariado”. Todo ser humano é fruto do seio de uma mulher. Mulher é uma heroína que cuida de casa, filhos, marido, pais, estudos e do seu campo profissional, quer dizer são três turnos em ação na defesa do bem-estar da família e da sua beleza. É inadmissível a violência cada vez mais crescente contra a mulher, inclusive a do governo quando aumentou mais dois anos (62) para a mulher se aposentar. Defendo uma Lei que torne a violência contra mulher crime hediondo e inafiançável, como também a extensão das penalidades, considerando que alguns cidadãos não estão levando a sério a Lei Maria da Penha. No entanto é preciso a mobilização das mulheres na defesa dos seus direitos, considerando que sem pressão não há solução! A sociedade identifica a gravidade da violência apenas quando ela é praticada de modo ostensivo ou chocante. Denunciar a violência é fundamental para a responsabilização de seus autores. A ausência da denúncia favorece a perpetuação e a repetição da violência contra a mulher. Quando o querer coletivo representa um querer legal, as normas tendem a ser eficazes. Qual é a culpa daqueles (as) que não fazem nada para evitar a violência contra a mulher? Qual é a culpa daqueles (as) que criam seus filhos para serem machos, viris, fortes, e suas filhas para serem dóceis submissas e bem-comportadas? A massa silenciosa é essencial para o êxito da violência. Quem prefere não se envolver, porque acredita que ficará à margem do problema, age em favor da violência. A mulher deve estar no mesmo nível que o homem e ter direitos iguais, dentro do que estabelece o Artigo 5º da Constituição Federativa do Brasil.

Nesta data comemorativa, homenageio à Drª Ana Montenegro, in-memoriam para informar as mulheres brasileira que Aninha como era tratada carinhosamente foi uma das responsáveis com a Prof. Rute Cardoso, esposa do ex-Presidente FHC, dentre outras mulheres na defesa da Lei Maria da Penha. Ana Montenegro faleceu em 30 de março de 2006, na cidade de Salvador, de causas naturais. Em 7 de agosto de 2006, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva sancionou a Lei Maria da Penha, criada com o objetivo de punir com mais rigor os agressores contra a mulher no âmbito doméstico e familiar.

Ana Montenegro, Servidora Aposentada concursada do Ministério da Previdência e Assistência Social- MPAS, em 1934 pelo DASP, foi a primeira mulher a se filiar ao Partido Comunista Brasileiro em 1945. Foi co-fundadora do periódico “Movimento Feminino”, editado durante dez anos, que servia de instrumento de divulgação das lutas e conquistas das mulheres brasileiras. Colaborou nos jornais cariocas Correio da Manhã e Imprensa Popular.

Ana Montenegro formada em Direito e Letras, residia em Salvador, era reconhecida por sua luta em defesa de sua gente e de sua terra. Com a ascensão do regime militar e da ditadura, foi a primeira mulher a ser exilada, tendo ficado fora do país por mais de quinze anos, afastada de seu lar e de sua família. Durante esse período, foi membro da Comissão da América Latina pela Federação Democrática Internacional de Mulheres (FDIM).

Trabalhou, durante o exílio, em organismos internacionais, como a ONU e a UNESCO, tendo participado de congressos, conferências, e seminários pelo mundo. Foi redatora da Revista “Mulheres do Mundo Inteiro”, órgão da FDIM. Militante do Partido Comunista Brasileiro (PCB) por mais de 50 anos, Ana lutou bravamente pelo restabelecimento da democracia no Brasil e, em consequência disso

, teve a sua vida conturbada por perseguições políticas.[1]

Entre 1985 e 1989 participou do Conselho Nacional dos Direitos da Mulher e foi assessora da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB), na sessão baiana, atuando em defesa dos direitos humanos e membro do Fórum de Mulheres de Salvador.

Em 2005, junto com mais 999 mulheres, foi indicada ao Prêmio Nobel da Paz.

Aos 90 anos de idade, Ana Montenegro ainda afirmava em alto e bom som “que a sua luta continua, por pão, terra e trabalho, sendo que um país que tem isso tem liberdade.” Sempre afirmava que, “respeitar o povo é respeitar suas necessidades”. Além do ativismo em defesa da mulher, lutou também durante muitos anos contra o racismo, com um grande trabalho junto à população negra. Escreveu, além dos inúmeros artigos e ensaios, diversas obras, dentre as quais, cuidando da questão da mulher, “Ser ou não ser feminista” e “Mulheres – Participação nas lutas populares, entre outros.”

Deus criou a mulher para ser amada e não violentada! Parabéns mulheres guerreiras!

Alderico Sena – Especialista em Gestão de Pessoas e Ex-Diretor Regional de Pessoal do INAMPS/Bahia - Ministério da Previdência Social – www.aldericosena.com

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