A experiência do aposentado que não é valorizada no Brasil - A TARDE

Investir, reconhecer e valorizar a experiência do idoso é uma questão de visão e projeto de Estado. Estudo para a inclusão social do idoso se faz necessário, visto o alto nível de conhecimento e experiência nas diversas áreas que contribuirá muito para o enriquecimento e a qualidade profissional dos mais jovens.

As Constituições garantem proteção e a dignidade da pessoa idosa. É interessante observar que, embora novas imagens sobre a velhice sejam construídas, visto que limitadas representações ainda circulam no imaginário social.

A sociedade contemporânea é marcada pelos valores individualistas, de forma que se faz necessário um movimento para resgatar a qualidade dos vínculos entre as gerações mais novas e as mais velhas. Não é verdadeiro afirmar que apenas uma geração dá algo de si enquanto a outra, passivamente, torna-se receptora inerte destas dádivas. A troca de conhecimento e aprendizado para ambas as gerações, devido aos avanços tecnológicos e um mercado globalizado será excelente projeto.

Instituições públicas e privadas devem investir no idoso para repassar experiência profissional, visando extinguir preconceitos e despertar no jovem e comunidade a importância para a valorização dos idosos, visto que todos serão idosos amanhã e mostrar que excluí-los é como rejeitar o passado e o futuro de todos. A escola terá uma função importantíssima na formação ética e moral dos jovens, além de colaborar com o desenvolvimento de cidadania em sentido amplo. A falta de convívio entre estas gerações priva o jovem de entrar em contato com a sabedoria dos mais velhos, através de uma aprendizagem dinâmica, bem como impede que os idosos conheçam novos hábitos e costumes por meio de uma troca interessante de experiências. Projeto desta natureza com o objetivo de melhor convivência, interação, cooperação, ajuda mutua e solidariedade entre jovem e o idoso será um MARCO de conhecimento, principalmente para as gerações que virão. Existe também o inquestionável direito de exercício da cidadania por aqueles que já alcançaram uma idade mais avançada e não justifica que sofram preconceitos e discriminações no mercado de trabalho e nos ambientes sociais.

A reflexão e o debate sobre as gerações são necessárias, para se construírem relações mais igualitárias e cooperativas, vislumbrando, assim, a criação de espaços de integração para as diferentes gerações. Afinal, os idosos merecem dignidade humana e é dever do Estado desenvolver políticas públicas para assegurar a inclusão social, requisito essencial para a efetivação dos princípios fundamentais contidos na Constituição. O idoso quer também o direito de escolher de continuar laborando ou usufruir os rendimentos de sua aposentadoria.

Alderico Sena – Especialista em Gestão de Pessoas e Ex-Presidente do Movimento dos Aposentados da Bahia – aldericosena@gmail.com - www.aldericosena.com

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