População idosa no Brasil: uma realidade

População idosa no Brasil: uma realidade

A forma de viver-se a velhice está associada a várias questões que se interligam e que se tornam mais complexa, porque uma das características desta etapa da vida é a sua heterogeneidade, ou seja, os sujeitos não envelhecem de maneira igual, construindo suas próprias histórias de vida, com características e dificuldades diferentes. É importante, portanto, compreender o idoso em suas diversas formas de ser, respeitando suas maneiras de viver, pois o fato de determinadas pessoas estarem em uma mesma faixa etária não significa que tenham passado pelas mesmas vivências e que apresentem as mesmas características e necessidades. O sujeito idoso não deve ser tratado como objeto e sim como sujeito, histórico e crítico. O sujeito é participante dessa construção e a vivencia de acordo com seu modo de ser, seus valores, sua visão de homem, de mundo e de sociedade e conforme a situação social e econômica concreta do contexto em que vive. Constata-se que o Brasil não está preparado de maneira adequada e suficiente para atender às demandas da população idosa. Essa situação atinge o idoso e sua família, que buscam suporte social adequado. Requer-se, medidas efetivas do governo para que esse segmento da população, que já deu a sua parcela de contribuição à sociedade, tenha melhores condições de vida, o que está garantido no artigo 230 da Constituição Federal, “A família, a sociedade e o Estado têm o dever de amparar as pessoas idosas, assegurando sua participação na comunidade, defendendo sua dignidade e bem-estar e garantindo-lhes o direito à vida”. A sociedade deve apropriar-se dos novos conceitos sobre envelhecimento e tomar consciência de que o crescimento da população idosa é um fato incontestável, constituindo-se numa problemática social que exige maior atenção do Estado. O idoso como qualquer outro cidadão, possui direitos que devem ser garantidos. Esses direitos só serão efetivados, no entanto, se houver pressão da família e da sociedade, para garantia desses direitos, que fazem parte integrante da vida diária das pessoas. É preciso, porém, consciência da importância desses direitos para se tornarem realmente eficazes e parte integrante da vida cotidiana do idoso. Um alerta e um conselho aos jovens. Todos, jovens tem dentro de si o idoso de amanhã. Cuide, ame-o e seja solidário com o cidadão idoso. “A velhice apenas priva os homens inteligentes das qualidades inúteis à sua sabedoria. ” Volto à minha frase inicial, a pessoa idosa não é porque é velha que está morta, pelo contrário, é vida e muita vida, e nos tem muito a ensinar, e pode oferecer muito de si, em sabedoria da vida, em relações de valor, em vínculos sinceros e profundos. Os jovens de hoje serão os idosos de amanhã. Urge que se faça um planejamento social, familiar, econômico e estrutural, e estes sejam aprovados e instituídos de forma que inclua esse idoso na vida comum, como um integrante que vive, atua, interage e decide sobre sua vontade. Essa é uma questão que cabe a todos nós.

Alderico Sena – Especialista em Gestão de Pessoas e Presidente do MAPI – Movimento dos Aposentados, Pensionistas e Idosos da Bahia

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